Figuras de cores vivas e bocas escancaradas são a característica principal das obras de Francisco Graciano, artista popular da zona rural de Brejo Santo, região do Cariri cearense.
A madeira é a matéria-prima que usa para manifestar o seu imaginário. Quando pega a madeira que vem a ideia na cabeça do que vai fazer.
“Eu costumo dizer é que eu não sei fazer é nada. Tem uma voz assim na cabeça, do meu lado que vai dizendo o que é pra fazer. Pra mim é como uma voz de um espírito índio (…) Gosto de ficar sozinho, distraído da cabeça e quando eu chego eu já tenho as imagens na cabeça”.
Francisco sente uma alegria especial em entalhar animais, talvez pela relação profunda que estabeleceu desde criança com a mata e os seres que vivem nela.
Trabalhava nas fazendas da região e comprava as suas próprias roupas, seus chinelos e sua comida. Viveu muitos desafios, como não ter onde dormir às vezes, o que lhe trouxe um senso profundo de autonomia. Aos 17 anos se casou e quando nasceu o primeiro filho, percebeu que o que recebia no roçado não era suficiente para se alimentarem.
Foi então, em um dia em que andava pelo mato a buscar lenha, que encontrou pedaços de galhos de imburana (árvore nativa da caatinga, muito usada pelos artesãos da região nordeste, para o artesanato) e decidiu experimentar entalhar um casal. Pediu ao seu irmão que mostrasse para o mestre Noza (importante escultor e xilógrafo do Ceará) para avaliar se ele “tinha futuro” enquanto artesão.
Quem deu o retorno foi a esposa de mestre Noza, que sugeriu que seguisse com o artesanato. Com o dinheiro que recebeu das suas primeiras 2 peças, floresceu a vontade de seguir. Chegou a acompanhar o pai em alguns trabalhos, como a encomenda que recebeu do Memorial Antônio Conselheiro (Canudos – BA), sob a curadoria de Dodora Guimarães, para entalhar uma representação da “Guerra de Canudos”. Manoel Graciano, com o auxílio de Francisco entalhou as esculturas de Antônio Conselheiro, os 12 apóstolos, entre outros personagens, como os irmãos Vilanova e Pajeú.
A vida de Francisco mudou após esse trabalho, a partir do qual se estabeleceu definitivamente na arte popular. Quando o mestre Manoel Graciano, seu pai, faleceu, Francisco estava com 26 anos, pai de 4 filhos. Atualmente, além de seguir criando sua própria arte, Francisco tem o sonho de construir um prédio e transforma-lo em um museu para receber as pessoas e alunos.
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