Descrição
Da madeira morta, encontrada no semiárido pernambucano surgem cobras, pebas, lagartos, gatos e tantos outros animais da fauna do Vale do Catimbau, em Buíque, região do sertão de Pernambuco.
Zé Bezerra conta que foi em um sonho, deitado em sua rede na parte externa de sua casa que recebeu o recado que mudaria o rumo da sua vida. Eram 3 horas da madrugada quando conversou com uma pessoa que tinha um manto na cabeça e disse que ele iria viver das matas.
“Ele disse: “A madeira morta na sua mão vai passar a vencer. Porque você tem que lembrar da carne do gato, do peba, do lagarto que você comeu… Em resumo: todos os animais que eu já tinha comido ou vendido na feira pra conseguir o que comer, eu os faria em madeira”
Todas as esculturas são talhadas à mão, com ferramentas que ele mesmo cria para se adaptar às necessidades dos trabalhos feitos.
“Pego um cano, dobro, desdobro e monto ferramentas para trabalhar. Tenho um serrote, uma machadinha. Tudo manual, sem motor”.
Zé Bezerra não gosta de polir suas obras e essa é uma das características que diferencia seu trabalho dos outros mestres e artesãos locais. conta que quando olha um pedaço de madeira/pau ele já consegue imaginar pernas, olhos e os bichos que podem nascer dali.
“Tem vezes que a madeira chega e eu não faço quase nada, ela já vem pronta”
Zé Bezerra tem sua casa/ateliê localizada no Vale do Catimbau, distrito de Buíque, portal do sertão Pernambucano. No Vale do Catimbau encontra-se o segundo maior parque arqueológico de pinturas rupestres do Brasil, sendo o primeiro, a Serra da Capivara no Piauí. As pinturas datam de 2000 a 6000 anos, realizadas por povos caçadores e coletores que habitavam e usavam o parque e as regiões rochosas com abrigo.
O bioma é a caatinga, exclusivo do nosso país. Para os que olham superficialmente, parece demasiado seco, mas nos pés da serra encontra-se um grande aquífero que abastece toda a região e permite que fontes de água potável sejam encontradas nas proximidades.












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